A realidade do câncer de mama no país

Relevante problema de saúde pública, o câncer de mama foi negligenciado por muitos anos no Brasil. 

O país só despertou para a gravidade da questão a partir da segunda metade dos anos 1980, com a inclusão do tema nas ações de atenção integral ao bem-estar da mulher.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o primeiro esforço mais significativo para a organização da rede assistencial foi dado com o programa Viva Mulher, no início dos anos 2000. Nessa época, o Ministério da Saúde elaborou a primeira diretriz nacional com orientações sobre as ações necessárias na linha de cuidados do câncer de mama.

Apesar dos avanços neste sentido, médicos especializados no tratamento deste tipo de câncer acreditam que ainda há muito o que se fazer.

Na avaliação da mastologista Talita Cerutti, o governo deveria investir em políticas de saúde pública no sentido de combate à obesidade e ao sedentarismo, além das campanhas para as mulheres fazerem mamografia.

“Estudos mostram que exercícios regulares podem reduzir em até 15% a mortalidade das pacientes. Às vezes, nem a quimioterapia tem um impacto tão grande na prevenção da recorrência como a atividade física. E as questões alimentares, o excesso de peso, a obesidade, são fatores de risco muito importantes”, completa a médica.

“Às vezes, nem a quimioterapia tem um impacto tão grande na prevenção da recorrência como a atividade física.” – Talita Cerutti

Levantamento do Ministério da Saúde

O estudo “A situação do câncer de mama no Brasil: Síntese de dados dos sistemas de informação”, realizado desde o ano 2000, apresenta análises sobre dimensões desta linha de cuidado, a partir das bases de dados disponíveis nos sistemas de informação do país e em pesquisas nacionais.

Confira, abaixo, alguns dados importantes extraídos deste levantamento:

Estatísticas

O câncer de mama é a neoplasia mais incidente em mulheres na maior parte do mundo.

Segundo a Globocan 2018, foram estimados 2,1 milhões de casos novos de câncer e 627 mil óbitos pela doença em todo o mundo no ano passado. Para 2019, as estimativas de incidência de câncer de mama são de 59.700 casos novos no Brasil.

Nas capitais, este número corresponde a 19.920 casos novos a cada ano.

A taxa bruta de incidência estimada foi de 56,33 por 100 mil mulheres para todo o Brasil e 80,33 por 100 mil mulheres nas capitais.

Números por faixa etária

Na compararação entre os anos 2000 a 2010, observou-se um leve acréscimo na incidência entre mulheres de 70 anos ou mais e uma leve tendência decrescente na faixa de 40 a 49 anos. Permaneceram estáveis os índices das faixas de 20 a 39 e 50 a 69 anos.

Amazonas tem cerca de 40% dos casos de câncer de mama diagnosticados antes dos 50 anos de idade.

Ainda em relação à faixa etária, a mastologista Talita Cerutti lembra que cerca de 25% dos casos registrados no país são de mulheres entre 40 aos 49 anos.

“Por isso, a Sociedade Brasileira de mastologia recomenda mamografia a partir dos 40 anos”, completa.

Apesar do diagnóstico  ser de cerca de 40% antes dos 50 anos. A mortalidade ocorre na casa dos 70 anos.

“Cerca de 25% dos casos registrados no país são de mulheres entre 40 aos 49 anos”, salienta a médica.

Mortalidade

As Regiões Sul e Sudeste do Brasil apresentaram taxas de incidência de câncer de mama superiores à taxa nacional em 2016, e os maiores índices de mortalidade são registrados no Norte e no Nordeste.

No Brasil, o número bruto é de 16.069 óbitos – 15,4 óbitos por 100 mil mulheres.

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