Precisamos falar sobre depressão em médicos

A doença atinge profissionais das mais diversas especialidades e de todas as idades


Aqueles que zelam pela saúde e pela qualidade de vida das pessoas também adoecem. A sociedade nem sempre sabe o quanto os médicos são impactados emocionalmente no exercício do seu ofício.

Essa rotina desgastante constitui um fator de risco para o desenvolvimento da depressão e do suicídio.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina e o segundo com maior prevalência nas Américas, ficando atrás somente dos Estados Unidos, que têm 5,9% de depressivos.

No mundo, a doença atinge 322 milhões de pessoas.

Entre a categoria médica, levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) com 7,7 mil profissionais revelou que 44% deles apresentaram depressão ou ansiedade. Outros 57% atestaram estafa e desânimo com o emprego.

Além disso, um em cada cinco especialistas sofre com doenças cardíacas, percentual idêntico ao de médicos com alterações no sistema circulatório, e 21,8% apresentam mau funcionamento do aparelho digestivo.

“Há um grande número de médicos padecendo de transtornos depressivos. Em média, 20% dos profissionais da área, sendo a maior incidência na idade de 41 a 50 anos com alarmante índice de 34%”,

Euclides Gomes, vice-presidente da Associação de Psiquiatria Cyro Martins.

A depressão entre os médicos jovens

E as novas gerações seguem no mesmo caminho.

Pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André (SP), revelou que 38% dos acadêmicos de Medicina exibiam queixas características desse tipo de distúrbio psiquiátrico, como tristeza, falta de concentração, desânimo e um profundo cansaço. 

Esta constatação é preocupante se levarmos em conta que a depressão pode interferir na capacidade de raciocinar, na concentração e na necessidade de reflexão.

Em se tratando de profissionais da saúde, este fato se torna ainda mais grave, pois a sua atividade se baseia em tomada de decisões que podem significar a diferença entre a vida e a morte de um paciente.

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Por que os médicos estão depressivos

Entre as causas para a grande incidência da doença em médicos estão o número excessivo de horas de trabalho por semana, a privação de sono e as condições de trabalho. A doença atinge profissionais das mais diversas especialidades e de todas as idades.

O mais grave é que a maioria deles não busca tratamento regular e, quanto mais a doença se agrava, mais suscetíveis os médicos estão a cometer erros.

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