Três mil médicos e estudantes respondem pesquisa sobre saúde mental do Simers

Interessado em entender melhor as condições psíquicas dos médicos gaúchos e pelos poucos dados disponíveis na área, o Simers liderou pesquisa inédita no Estado em parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Na ação, que integrou a campanha Setembro Amarelo da entidade, a entidade fez perguntas direcionadas aos profissionais e estudantes de Medicina.

“Parte dessa escassez de dados se deve justamente à dificuldade de o médico se reconhecer como doente, perceber que precisa de ajuda e procurar por ela. Nosso modelo de formação nos educa a sermos inabaláveis, resistentes e imunes ao próprio sofrimento, físico ou mental. Os estressores ambientais são constantes, desde a faculdade”, destaca o diretor de Interior do Simers e psiquiatra Fernando Uberti Machado.

Dr. Fernando Uberti Machado fala sobre a pesquisa pesquisa sobre saúde mental

Os estressores ambientais dos médicos são constantes, desde a faculdade”

Fernando Uberti Machado

Cerca de 3 mil pessoas responderam aos questionários, que contemplaram tópicos a respeito do comportamento e das emoções dos médicos e estudantes de Medicina durante a execução das suas rotinas.

Os dados da pesquisa Simers

Você se sente satisfeito em relação ao seu trabalho?


Entre os 2.476 médicos que responderam, 64,7% afirmaram que se sentem satisfeitos em relação ao seu trabalho e 95,3% disseram ter motivos para se considerarem felizes.

95,3% dos médicos disseram ter motivos para se considerarem felizes.

A maioria dos entrevistados (89,3%) declararam nunca ter saído de licença por conta de problemas relacionados à sua saúde mental e 38% revelaram fazer uso de alguma medicação psicotrópica.

“Assédio moral é encarado como um processo natural de crescimento, parte de um modelo de desenvolvimento que os tornará mais fortes e capazes. Precárias condições de infraestrutura, tolerância com atrasos salariais e ingerência política no exercício profissional são colocadas na conta do sacrifício pessoal, em nome do ‘sacerdócio’ pelo qual pode ser egoísta a ponto de pensar seu próprio bem-estar”, conclui Machado.

A pesquisa com os acadêmicos

A amostra de acadêmicos foi menor, mas com resultados significativos. Dos 320 participantes, 68,7% manifestaram ter momentos de relaxamento em meio ao dia a dia de estudos.

Em contrapartida, um número similar de respondentes (70,2%) apontou se sentir esgotado/sem prazer nas atividades da faculdade e mais da metade (53,3%) confessou já ter pensado em suicídio em algum momento da vida.

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