Radar Simers entrevista: presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul, Alfredo Cantalice Neto

Idealizador do Serviço de Gastroenterologia e Nutrição Pediátrica do Hospital da Criança Santo Antônio de Porto Alegre, o presidente da Amrigs vê com receio o cenário do sistema de saúde do Brasil. Em entrevista à Radar Simers, o médico afirma possuir um bom relacionamento com as entidades regionais e nacionais. “É importante destacar o trabalho desenvolvido pelos presidentes Marcelo Matias no Simers e Eduardo Trindade no Cremers”, ressalta.

Radar Simers – Como se dá a atuação da Amrigs?

Alfredo Cantalice Neto – Temos 60 anos de existência, sempre pautados pelo conhecimento médico. Temos também uma forte ação na defesa do médico gaúcho.

Contamos com mais de quatro mil médicos associados, além de um Departamento Universitário forte, que tem aproximadamente 600 acadêmicos associados. Eles se preparam para o grande projeto da entidade, a Prova Amrigs, que seleciona médicos para a residência médica.

Radar Simers – Como funciona a Prova Amrigs?

Alfredo Cantalice Neto – Ocorre de duas maneiras. Primeiro para aquele médico que terminou a faculdade e quer fazer concurso para acesso direto como médico residente.

Depois, para aquele médico que já fez dois anos de clínica médica, cirurgia geral ou pediatria e quer fazer uma especialidade médica. Em 2019 tivemos mais de sete mil médicos inscritos, sendo que cinco mil foram habilitados para prestar o concurso. Estamos em cinco Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. Recentemente, firmamos uma parceria com a Associação Médica Brasileira para que esta prova seja válida em todo o território nacional.

A partir de 2020 a prova terá a denominação Prova Amrigs-AMB, para todos os Estados que tiverem o interesse.

Radar Simers – A Amrigs é referência nacional?

Alfredo Cantalice Neto – Sim, a Associação é referência nacional na área do conhecimento.

Radar Simers – Quais são as atividades da entidade?

Alfredo Cantalice Neto – Muitos se queixam que a Amrigs está mais voltada para o associado da Capital e menos para o associado do Interior. Não estamos medindo esforços para chegar ao Interior. Implantamos o projeto Caravanas Amrigs. Durante o ano, visitamos 20 cidades, levando temas escolhidos pelas comunidades, sejam da área da saúde, exercício profissional e até musical. Temos um coral bonito. Todos anos, em Bento Gonçalves, realizamos o Natal do Hospital Tacchini.

Em Porto Alegre, temos o Centro de Eventos, com atividades nas áreas científica e cultural. O nosso braço comunitário é o Instituto Vida Solidária, que concede assessoria para a Vila São Pedro, situada no entorno do terreno da Associação. O médico contratado pela Amrigs realiza, em média, 120 consultas por mês para esta comunidade. Além disso, a parceria com a Fasc permite o atendimento para 40 crianças da Vila São Pedro.

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“Não estamos medindo esforços para chegar ao Interior. Implantamos o projeto Caravanas Amrigs. Durante o ano, visitamos 20 cidades, levando temas escolhidos pelas comunidades, sejam da área da saúde, exercício profissional e até musical”.

Alfredo Cantalice Neto

Radar Simers – Como o senhor avalia o cenário do sistema de saúde no Brasil?

Alfredo Cantalice Neto – O momento é complicado. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, vem fazendo esforços para aprovar projetos no Congresso Nacional, mas encontra dificuldades.

As entidades médicas em nível federal estão apoiando o ministro. Em Brasília, a Frente Parlamentar da Medicina é composta por deputados federais e senadores médicos. No Estado, a Amrigs possui um bom relacionamento com o Simers e o Cremers.

É importante destacar o trabalho desenvolvido pelos presidentes Marcelo Matias no Simers e Eduardo Trindade no Cremers. Eles atuam com ênfase na área da ginecologia obstetrícia, que enfrenta muitos problemas. Precisamos evitar o termo violência obstétrica. É inaceitável esse termo. Atuei 30 anos em sala de parto e nunca vi um obstetra ser violento. Pelo contrário, em muitas situações o obstetra ajuda a mãe ansiosa.

O cenário da saúde é complicado, pois temos uma concorrência com clínicas populares, que aplicam preços de consultas aviltantes. As três entidades, Amrigs, Simers e Cremers vão atuar contra esta prática e na defesa do médico.

Radar Simers – O SUS precisa de um acerto?

Alfredo Cantalice Neto – Este sistema veio para ficar, mas precisa ser melhor gerenciado. Isso é difícil em um país de grandes dimensões como o Brasil.

 Radar Simers – O número de Faculdades de Medicina no Brasil é adequado ou excessivo? A qualidade do ensino é suficiente para formar bons profissionais?

Alfredo Cantalice Neto – Não. Para se ter um exemplo, entre Porto Alegre e Novo Hamburgo há seis faculdades de Medicina.

Estimativas indicam que dentro de um período próximo teremos 30 mil médicos formados por ano. Eles terão que fazer residência médica. Como isso poderá acontecer, se hoje já não se consegue residência médica para todos? Por isso, é comum ver médicos jovens que não fizeram residência enfrentando problemas por irem trabalhar em plantões e emergências.

Vejo com receio a criação de mais Faculdades de Medicina. O custo mensal de uma Faculdade particular oscila de R$ 8 mil a R$ 10 mil. O jovem vai gastar R$ 100 mil por ano, fechando a conta em R$ 600 mil quando se formar. Depois se não consegue residência vai para uma clínica popular ganhando de R$ 20 a R$ 25 por consulta.

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