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Cirurgia robótica cresce em tempos de pandemia

Desde o início da pandemia de Covid-19, os procedimentos eletivos e, consequentemente, a prevenção de doenças foram consideravelmente impactadas por serem minimamente invasivos e altamente seguros. Diante deste cenário, a cirurgia robótica passou a ganhar mais adeptos em diversas especialidades ao redor do mundo. Sendo assim, há cada vez mais cursos voltados para a capacitação de profissionais focados no desenvolvimento de conhecimentos e habilidades básicas para o uso desta tecnologia.

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O Centro de Formação em Cirurgia Robótica da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, por exemplo, está com inscrições abertas para três capacitações na área. São eles: “Módulo Avançado em Cirurgia Robótica para Acadêmicos de Medicina”, “Módulo Avançado em Cirurgia Robótica para Residentes de Medicina” e “Curso Formação de Cirurgiões para Atuação em Campo nas Cirurgias Robóticas.  Todos serão coordenados pelos professores André Vicente Bigolin e Leandro Totti Cavazzola e se iniciam em 27 de agosto.

Os dois primeiros módulos são dirigidos a estudantes e residentes médicos, com 12 horas/aula – teóricas, simulação e in service. O curso  de formação tem duração de 70 horas e objetiva a formação de cirurgiões para atuação em campo, especialmente urologistas, cirurgiões gerais, coloproctologistas, cirurgiões oncológicos, ginecologistas, cirurgiões torácicos, cirurgiões pediátricos e cirurgiões de cabeça e pescoço, entre outros. 

Para Bigolin, o mais interessante na cirurgia robótica é a possibilidade de se ter uma interface digital entre o cirurgião e o paciente. “Podemos alimentar esta plataforma digital com toda informação disponível, assim o profissional pode contar com uma ferramenta capaz de aumentar a segurança na execução de um procedimento”.

“Este é o próximo passo na evolução da cirurgia, que eu não tenho dúvida que vai acontecer, e nós precisamos estar preparados. Por isso, a capacitação médica é algo muito importante neste momento de transição.”

Professor de cirurgia robótica André Vicente Bigolin

 O Centro de Formação em Cirurgia Robótica Helga Johannpeter da Santa Casa é o primeiro centro de treinamento em cirurgia robótica do Rio Grande do Sul com a Plataforma Da Vinci Xi. 

As atividades estão estruturadas em cursos teóricos, práticos e hands on para todos os níveis de formação médica, desde acadêmicos até cirurgiões robóticos já certificados. “Entre os cursos disponíveis destacam-se aqueles destinados a acadêmicos de medicina e residentes, até então inéditos em Porto Alegre”, afirma Roberta Almeida, coordenadora de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Porto Alegre.

“O binômio médico-paciente é especialmente beneficiado com a técnica,  partir do momento em que a gente entrega uma cirurgia mais rica em detalhes. Hoje, a plataforma robótica nos oferece uma visão magnificada em 3D com uma imagem estática, o que possibilita a realização de movimentos muito mais precisos, somada à precisão de pinças articuláveis. O médico, assim, pode fazer movimentos semelhantes e até com uma amplitude maior do que a mão humana”, destaca Bigolin.

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Cenário atual das cirurgias robóticas

De acordo com os dados mais recentes, em 2019 o Brasil realizou 13 mil cirurgias robóticas. Além de enfrentar a superlotação dos hospitais e a falta de leitos, a cirurgia robótica adapta-se perfeitamente à realidade atual, pois reduz o tempo médio de internação.

Com a pandemia estes benefícios ficaram ainda mais interessantes, tanto para o paciente, que tende a ficar menos tempo no hospital, como para o médico, que dispõe de mais segurança na sua atividade. Com menores taxas de complicações há redução do número de reinternações e visitas ao consultório médico, diminuindo a exposição do paciente.

Na avaliação do vice-presidente do Núcleo Acadêmico do Simers, Gustavo Wild Pizutti, toda inovação é bem-vinda, mas é necessária muita cautela na sua execução para que o profissional da Medicina não se esqueça do fundamental: o contato físico e emocional com o paciente.

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“É uma evolução importante de se ter disponível. Temos apenas que ficar atentos para que o médico que se utiliza destas técnicas não perca a humanidade e o trato de beira de leito.”

 Vice-presidente do Núcleo Acadêmico do Simers, Gustavo Wild Pizutti

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