O Médico

Núcleo atento à saúde mental do médico e da população

 NÚCLEO DE PSIQUIATRIA

Tendo em vista a inclusão da Psiquiatria nos importantes debates das pautas estadual e nacional e no contexto da pandemia do coronavírus, o Simers criou o Núcleo de Psiquiatria (NP). O objetivo deste grupo de trabalho é promover reflexões e ações imprescindíveis à saúde mental. O núcleo é formado por quatro psiquiatras, representando diversas regiões do Estado. Segundo o coordenador do Núcleo, Fernando Uberti, o trabalho que vem sendo desenvolvido é de extrema relevância para a comunidade médica e a sociedade.

Quais são as ações básicas do Núcleo de Psiquiatria do Simers?

As ações do Núcleo de Psiquiatria sempre se dão no sentido da valorização e do fortalecimento da psiquiatria e do papel dos médicos psiquiatras no Rio Grande do Sul. Trabalhamos as demandas que exigem nossa atitude de forma reativa, em relação a um hospital psiquiátrico, unidade psiquiátrica com leitos gerais, remuneração e condições de trabalho do psiquiatra. Também tratamos de questões estruturais, como legislação da assistência psiquiátrica, insumos e medicações fornecidas na rede de atenção estadual e municipal. Em nível nacional, participamos de campanhas em conjunto com outras entidades. Temos uma atuação diversa, que beneficia não somente os médicos psiquiatras e pacientes, mas a sociedade como um todo, que merece uma assistência psiquiátrica pública de qualidade.

Como são elaboradas e conduzidas as campanhas do Núcleo, como a do Setembro Amarelo e do Hospital Psiquiátrico São Pedro?

As campanhas obedecem a uma lógica de situação de fragilidade existente, de deterioração da assistência psiquiátrica. Este foi o caso da campanha de valorização do Hospital Psiquiátrico São Pedro, de Porto Alegre, que teve o objetivo de mostrar à sociedade a importância da instituição para todo o Estado. A partir daí, reivindicamos melhorias na qualificação da estrutura física, dos recursos humanos, aporte maior de profissionais, fluxos mais racionais, condições de insumos e medicamentos adequados, assim como uma condição mais adequada de ensino. O São Pedro tem tradição na formação de médicos psiquiatras.

Núcleo atento à saúde mental do médico e da população 2

“Nesta campanha, atuamos com diversas forças da sociedade, como parlamentares, entidades  representantes de familiares de pacientes e o Cremers. Outras campanhas têm um caráter mais ativo, como a do Setembro Amarelo, lançada pela Associação Brasileira de Psiquiatria, e que foi potencializada no Rio Grande do Sul pelo Simers”, destaca Uberti.

Fernando Uberti

Como as iniciativas têm sido recebidas pela categoria e pela população ?

A receptividade é excelente, principalmente a partir dos médicos psiquiatras, que elogiam a atuação do Núcleo. Acabamos sendo uma espécie de porta voz das demandas dos profissionais e da sociedade, por uma assistência psiquiátrica mais digna e qualificada no nosso Estado. O trabalho também traz reflexos junto aos gestores, que acabam identificando a importância da assistência psiquiátrica em seus sistemas de saúde. Com o impacto da pandemia, cresceu a sensibilidade para a relevância de uma rede estruturada de assistência psiquiátrica. Elevou também a receptividade perante as instâncias políticas e nos veículos de comunicação, pois aumentou o espaço na mídia para falarmos sobre saúde mental. É importante destacar que a sociedade viabilizou essa presença devido a importância que concede à saúde mental.

Qual o trabalho específico do Núcleo em relação à pandemia?

Na visão do Simers, esse é um ponto fundamental neste momento. O impacto psiquiátrico da pandemia se processa sobre toda a população, comprovado por estudos. Os profissionais da saúde são duplamente impactados, pois estão na linha de frente lidando com a frustração de mortes, sobrecarga de trabalho e o medo de se contaminar ou passar o vírus para algum familiar. Esse impacto adicional acaba tornando esses profissionais mais vulneráveis a apresentarem um quadro de doença psiquiátrica, como um episódio depressivo. Desta forma, é necessário a nossa atenção para estes profissionais. Então, criamos no Simers o projeto SIM Mental, por meio do qual possibilitamos aos médicos associados o atendimento com médicos psiquiatras e psicólogos.

“Além disso, estamos realizando uma pesquisa relativa ao impacto na saúde mental dos médicos e estudantes de medicina ao longo da pandemia. Por meio de dados mais detalhados, poderemos traçar ações mais concretas para atenuar o impacto psiquiátrico sofrido por estes profissionais e estudantes”.

Fernando Uberti

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