Responsabilidade Social

Trote Solidário: conectando atitudes e pessoas por meio de futuros profissionais da Medicina e da Saúde

Por Renata Simmi

Ingressar na faculdade de Medicina é um marco importante àqueles que conquistam este objetivo, ou melhor, este sonho. Neste momento, inicia-se uma nova trajetória que será marcada pela dedicação intensa, muito estudo e, principalmente, doação e cuidado com os outros. O trote, famoso ritual de entrada proposto pelos veteranos dos cursos aos calouros, que em outras épocas apresentava atividades violentas, vexatórias e até criminosas (tornando-se até um trauma para os participantes) foi transformado a partir de 2008, quando o NAS (Núcleo Acadêmico do Simers) criou o Trote Solidário. 

O objetivo desse projeto é manter a tradição dos ritos de passagem aos novos universitários, combatendo a violência e engajando a comunidade em uma ação solidária convocada pelos futuros médicos. A partir de tarefas como a arrecadação de alimentos, doações de sangue, de livros e de tampinhas de garrafa, o NAS, juntamente com as universidades parceiras, construiu uma mudança na cultura das universidades e no comportamento dos acadêmicos, propondo, desde o início da carreira profissional, um olhar voltado ao cuidar.

Em 2021, estamos vivendo o segundo ano de pandemia do coronavírus e precisamos nos adequar às inúmeras restrições impostas pela doença como o distanciamento social, novos hábitos de higienização e precauções que pautam a vida de todos diariamente. E, no entendimento do Simers, são justamente nestes momentos desafiadores que o espírito da solidariedade precisa se intensificar. Por isso, o Trote Solidário se transformou para continuar colaborando com a sociedade gaúcha.

Na avaliação do diretor de Projetos Especiais do Simers, Vinícius de Souza, a atividade precisava se reinventar para prestar a ajuda aos que necessitam, porque as demandas da sociedade, especialmente referentes aos menos favorecidos economicamente e aos que dependem do sistema de saúde pública, não deixaram de existir e inclusive aumentaram sobretudo no último ano.

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“O período de pandemia está sendo um momento de profunda reflexão, no qual toda a sociedade reavalia antigos hábitos e constrói novas atitudes, buscando criar uma melhor versão de si mesma. O ‘novo normal’ é muito mais individual do que coletivo. Por isso, havia uma forte mobilização para que o Trote fosse realizado para continuar transformando vidas, passando para o formato virtual”.

Vinícius de Souza

Para a presidente do NAS, Scarlet Orihuela, “Com a reformulação do Trote, surgiram diversos desafios e também muitas oportunidades. Tínhamos um número maior de acadêmicos para engajar na ação, já que em 2020 o Trote foi cancelado. Também perdemos o momento mais esperado que era a integração entre calouros e veteranos e a própria diretoria do NAS. Por outro lado, abriram-se diversas oportunidades que até então não tinham sido exploradas pelo nosso grupo, que foi usar a tecnologia para expandir o alcance do Trote Solidário”.

Solidariedade em meio à pandemia 

O lema desta edição do Trote Solidário é a conexão de atitudes, seja com as doações que acontecem de maneira on-line, seja pelo movimento nas redes sociais dos participantes que abraçaram a nobre causa e se envolveram nas ações.  

A presidente do NAS, Scarlet Orihuela, considera que a reinvenção do Trote, neste momento delicado, possibilita a prática do exercício de empatia para uma sociedade mais justa e equânime. “Quando estimulamos a adesão dos alunos ao Trote Solidário, queremos demonstrar que sempre há espaço para olharmos para nosso entorno, vermos que muitas pessoas necessitam da nossa ajuda e que, nas pequenas atitudes, podemos fazer uma diferença enorme”, ressalta Scarlet.

A tradicional doação de alimentos, antes feita presencialmente com os acadêmicos abordando a população na entrada dos supermercados, solicitando a contribuição de algum produto não perecível, agora passou a ser realizada através de links personalizados para cada uma das 20 universidades, que redirecionam ao site da Rede de Bancos de Alimentos do Rio Grande do Sul. No portal, por meio do link da instituição parceira, é possível selecionar a quantidade e os alimentos para doar. Depois, é só finalizar o pedido com o pagamento. Ao final da ação, tudo o que for arrecadado será destinado a instituições carentes nos respectivos municípios de cada universidade.

Por conta dos impactos provocados pelo coronavírus na saúde, a doação de sangue tornou-se ainda mais importante. Os estoques dos hemocentros estão baixos, devido à grande demanda e a pouca participação da população, provocada pelo distanciamento social. Para manter a segurança dos doadores, a orientação é de que o participante realize agendamento prévio de horário no hemocentro que for conveniente, vá sozinho para evitar aglomeração e reforce o uso de máscara de proteção e álcool em gel. Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas, por isso, ir ao hemocentro é um ato de coragem em benefício da saúde. 

A arrecadação de tampinhas de garrafa PET corre exclusivamente em Porto Alegre, e o material está sendo recebido em benefício do Instituto do Câncer Infantil. Ainda assim, a finalidade desta ação ultrapassa os limites geográficos; por isso, qualquer pessoa e universidade que desejar contribuir pode fazer a doação.

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“O que temos visto é um engajamento virtual muito forte, tanto pelas  mídias sociais individuais dos estudantes, quanto das próprias universidades. Por meio dessas redes, eles têm estimulado a comunidade em geral e as famílias a participarem da ação”.

Scarlet Orihuela

Por isso, os números desta edição são gratificantes. Mesmo em meio à pandemia, mais de seis toneladas de alimentos foram arrecadados e mais de quatrocentas bolsas de sangue doadas. “Os resultados obtidos até agora confirmam que a solidariedade e a empatia são tremendamente contagiantes e que fazer o bem continua sendo tão simples como antes”, complementa Vinícius.

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